‘A Estrada’ inova, mas tem ritmo vagaroso demais
Filmes em que um desastre de escala mundial aconteceu e deixou uma paisagem desolada em todos os lugares costumam ter bastante ação, seja por uma guerra ou invasão de zumbis, por exemplo. Aqui, em “A Estrada”, praticamente não há ação. O ritmo é lento, lentíssimo às vezes, e o foco acaba ficando em cima dos personagens e do crescimento deles ao longo da história. É uma escolha válida, mas vai fazer muito espectador adormecer na sala de cinema por aí.
A história de “A Estrada” é baseada no livro de mesmo nome do escritor Cormac McCarthy, mesmo autor de “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) vagam pelo cenário desolado de um país atingido por algum tipo de desastre em escala global em busca de comida e um lugar seguro para passar a noite. A ameaça constante de canibais e de ladrões faz com que o pai se torne extremamente protetor, ensinando ao filho que não se deve confiar em ninguém.
Não é o só o ritmo vagaroso que pode entediar o grande público. A ausência de uma estrutura convencional pode incomodar, também. “A Estrada” é pontuado por momentos isolados de ação, um tento pouco a ver com o outro, como episódios. A constante, mesmo, é a série de ensinamentos que o pai tenta passar para o filho noções de como sobreviver e, acima de tudo, não confiar em ninguém. Aí é que reside o real progresso de “A Estrada”.
Fica difícil saber se “A Estrada” conseguiria manter todas as suas qualidades se fizesse algumas concessões ao grande público, nem que fosse melhorar o seu ritmo arrastado. Mas, claro, não se pode agradar a todos os gostos.
A Estrada (The Road, 2009), 111 min.
Direção: John Hillcoat
Roteiro: Joe Penhall (roteiro), Cormac McCarthy (livro)
Com: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Molly Parker, Michael Kenneth Williams

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