Por Ricardo Prado

Bressane se mantém fiel a marcas em ‘A Erva do Rato’

Bressane se mantém fiel a marcas em ‘A Erva do Rato’

Não é de hoje que o cineasta Júlio Bressane se mantém como um dos poucos diretores brasileiros a insistir no experimental, mesmo depois de quase 50 anos desde suas primeiras tentativas no Cinema Marginal. “A Erva do Rato” traz como únicos atores Alessandra Negrini e Selton Mello, mas não se engane: assim como grande parte dos filmes de Bressane, é um filme para poucos.

A história começa com uma mulher (Negrini) caindo em um cemitério e sendo acudida por um homem (Mello). A partir daí, descobrimos que ela acabou de sair da cadeia e não tem família. Ela passa, então, a viver com o homem e a se submeter às estranhas demandas dele, como uma obsessão por ditados e, mais tarde, ser fotografada por ele.

Assim como em “Cleópatra”, a fotografia dá um show à parte. Só que em vez dos planos abertos e reflexivos, o clima aqui é introspectivo, fechado, com foco nos interiores. As bizarrices às quais o homem submete a mulher recebem um tratamento ainda mais horripilante por conta do roteiro de linguagem polida, pouco natural. Da metade para o fim, o clima de fantasia realmente toma conta e o resultado é primoroso. É graças ao bom trabalho dos atores que essa transição é feita de forma tão competente.

Toda forma de arte precisa do experimentalismo. Caso contrário, está fadada à morte. No cinema ainda existem vários nomes dedicados a esta vertente, mas é preocupante que, no Brasil, Bressane seja uma das poucas vozes desta escola. Felizmente, continua trabalhando e, quem sabe, deverá inspirar novas gerações.

A Erva do Rato (2010), 80 min.
Direção: Júlio Bressane, Rosa Dias
Roteiro: Júlio Bressane
Com: Selton Mello, Alessandra Negrini

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