Por Ricardo Prado

Com erros primários, ‘Assalto ao Banco Central’ desanda

Com erros primários, ‘Assalto ao Banco Central’ desanda

Marcos Paulo é um veterano ator de filmes e diretor de novelas, mas como cineasta ainda precisa aprender muito. O resultado de sua primeira incursão como diretor de cinema, “Assalto ao Banco Central”, tem falhas que saltam aos olhos e denunciam a pouca experiência dele no posto, por mais que a história, baseada no maior assalto a banco realizado no Brasil, seja interessante por si só. E, claro, é positivo que Marcos Paulo não tenha trazido cacoetes das telenovelas para os filmes, algo recorrente até com diretores mais experientes.

A história do assalto se desenvolve durante a primeira metade do filme como um autêntico heist movie, gênero que mostra um grande assalto cuidadosamente planejado e executado. Os mais novos relacionariam este gênero a filmes como “Onze Homens e um Segredo”, mas até clássicos como “Rififi” (1954). Um dos problemas que aparecem é o fato de a narrativa ser não-linear. Ou seja, enquanto vemos os ladrões preparando o túnel, vemos o assalto já executado e sob investigação pelo chefe de polícia, Amorim (Lima Duarte). Mais tarde, aparecem os ladrões já sob interrogatório da polícia. Daí o filme volta para dentro do túnel, com os bandidos a caminho do cofre. De repente, “Assalto ao Banco Central” destrói seu próprio clímax.

Com tudo isso, fica pouco para o elenco fazer. Milhem Cortaz faz um bom trabalho como sempre, desta vez no papel da grande mente por trás do assalto, o Barão. O contraste fica grande com o protagonista, Eriberto Leão (galãzinho de “Insensato Coração”), que é fraco demais. Também é triste ver Hermila Guedes, que nos surpreendeu em “O Céu de Suely”, entregue a um papel unidimensional como o de Carla, mulher do Barão. Aliás, esta é uma característica de todos os ladrões, a falta de profundidade. Todos são caricaturas.

“Assalto ao Banco Central” poderia ser a primeira grande incursão do cinema brasileiro no gênero heist movie, mas acaba sendo apenas uma tentativa. Da metade para o fim, toma um tom mais policialesco, tentando ser “Tropa de Elite” e falhando. É uma pena, porque o assunto e essa oportunidade de renovação prometiam.

Assalto ao Banco Central (2011), 104 min.
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Renê Belmonte
Com: Milhem Cortaz, Lima Duarte, Giulia Gam, Créo Kellab, Eduardo Magalhães, Rômulo Medeiros

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