Por Ricardo Prado

Com ‘Hugo’, Scorsese faz bela homenagem ao cinema

Com ‘Hugo’, Scorsese faz bela homenagem ao cinema

A receita tinha tudo para ser algo extraordinário: Martin Scorsese largando seus filmes policiais para embarcar em um cinema familiar com foco no 3D. Extraordinariamente bom ou ruim? Era difícil prever, mas que seria extraordinário, isso seria. E faltam adjetivos para descrever o que ele entrega ao espectador com “A Invenção de Hugo Cabret”. Trata-se de um dos mais belos longas a chegar às telas do cinema nos últimos tempos e uma reafirmação do talento de Scorsese para fazer… não mais só filmes policiais, mas qualquer coisa.

O menino Hugo Cabret (Asa Butterfield) vive entre as engrenagens de uma estação de trem de Paris ajustando os relógios sistematicamente. Seu grande segredo e bem mais precioso é um robô, que tentava consertar junto com o pai (Jude Law). Este morreu em um incêndio, deixando Hugo sozinho com um tio bêbado. Para consertar o robô, Hugo acaba tendo que roubar algumas peças de um vendedor de brinquedos da estação, até que um dia é descoberto.

A belíssima direção de arte é a primeira coisa que chama a atenção. O 3D só salienta esta beleza, além de tornar mais próximas do espectador as emoções dos personagens. Realmente, fica nítida a diferença quando temos alguém que entende de cinema fazendo filmes 3D. Esta Paris dos anos 30 é reconstruída com um quê de conto de fadas, o que fará os fãs de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” se sentirem em casa.

“A Invenção de Hugo Cabret” faz uso da última tecnologia do cinema, o 3D, para homenagear justamente a sua gênese. No caminho para consertar o robô, Hugo e sua amiga Isabelle (Chloë Moretz) embarcam em uma emocionante viagem pela história do cinema. E esta homenagem se torna ainda mais bela ao vir de um filme que deve encontrar lugar cativo nos corações dos espectadores. Com um elenco em ótima forma que conta ainda com Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen e Christopher Lee, “A Invenção de Hugo Cabret” é um destes clássicos instantâneos.

Scorsese dá uma lição valiosa a Hollywood: o 3D só serve como recurso adicional a um produto que já tem qualidades. Não adianta usar esta tecnologia para alavancar roteiros sem inspiração e continuações infinitas e desnecessárias. E pensar que depois de tantos filmes violentos e sangrentos, é aqui que Scorsese realmente mostra ao público quem realmente é: só mais um garoto apaixonado por cinema.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011), 126 min.
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan (roteiro), Brian Selznick (livro)
Com: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Jude Law, Christopher Lee, Ray Winstone, Emily Mortimer

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