Iraniano ‘A Separação’ é intenso e simples
É surreal o que acontece quando todos os setores de um filme funcionam em harmonia e conseguem prender o espectador. Ele é trazido para dentro do filme e passa a viver os dramas de seus personagens e receber com o impacto merecido os acontecimentos. Um conflito aparentemente mundano torna-se grandioso. “A Separação”, filme iraniano popularizado pela temporada de premiações, é um exemplo deste tipo de trabalho. Tudo funciona belamente, o que reflete o talento de seu diretor e roteirista Asghar Farhadi, além do elenco. É destes para não se perder jamais.
Nader e Simin estão em processo de divórcio por conta de um conflito bem específico: ela quer sair do país para que a filha tenha um futuro melhor, e ele quer ficar para cuidar do pai doente. Em meio a isso, Nader se mete em uma confusão envolvendo a cuidadora de seu pai, o que acaba colocando o caráter de vários personagens em xeque.
Todo o elenco embarca de corpo e alma em seus personagens, mas Peyman Maadi e Sareh Bayat realmente parecem estar em outro plano. Tudo funciona graças ao roteiro, o melhor já visto nos últimos anos. É inteligente e simples. A trama adquire tons de filme policial sem precisar recorrer a qualquer clichê do gênero. “A Separação” tem todos seus departamentos funcionando em tamanha harmonia que causa aquele delicioso efeito de transportar o espectador para dentro de sua realidade. E ele não vai querer sair.
Um belo exemplo do bom cinema desenvolvido em um país tão complicado geopoliticamente como o Irã. É programa obrigatório para quem gosta do melhor do cinema. Só é preciso fazer um aviso: de tão bom, este é um daqueles filmes que “estragam” todos os outros medianos. Então, dê um tempo após assisti-lo.
A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, 2011), 123 min.
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Com: Peyman Maadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Merila Zare’i, Ali-Asghar Shahbazi, Babak Karimi, Kimia Hosseini
