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‘Lunar’: ainda há renovação na ficção-científica

‘Lunar’: ainda há renovação na ficção-científica

É bom que o gênero de ficção científica ainda não tenha virado sinônimo de filme de invasão alienígena, guerras intergalácticas e de efeitos especiais às toneladas. “Lunar” é justamente o oposto de tudo isso: pequeno, reflexivo, inventivo, e inclusive com o mínimo de efeitos especiais. Trata-se também de um verdadeiro show de interpretação do protagonista, Sam Rockwell, que é forçado a fazer mais do que um ator qualquer devido ao rumo que o filme toma.

Rockwell é Sam Bell, um astronauta que está próximo do fim de seu turno de três anos em uma estação de mineração na Lua. Sua única companhia é o robô inteligente GERTY (que tem a voz de Kevin Spacey). Depois que certas coisas surpreendentes acontecem, Sam começa a constar a própria existência e seu sentido.

As influências de “2001: Uma Odisséia no Espaço” e semelhantes são nítidas. Talvez a mais explícita seja GERTY, uma versão mais amigável de HAL 9000, já que chega a ajudar o protagonista em certos pontos da história, pois está programado para tal. Kevin Spacey ajuda emprestando um tom de voz sereno, mas um tanto sinistro, ao robô. O melhor, mesmo, é Sam Rockwell, que entrega aqui, de longe, a sua melhor interpretação em cinema. Para descrever o motivo do bom trabalho de Rockwell, seria necessário revelar um ponto vital da história de “Lunar”, então vou evitar dar mais detalhes.

“Lunar” é um filme pequeno, mas marcante. Não só resgata tudo de bom que existe na ficção científica como também introduz novos elementos, sem se esquecer do espectador e de entretê-lo. Trata-se de um excelente começo para o diretor Duncan Jones, que é filho de David Bowie, e, claro, uma boa refrescada no gênero da ficção científica. Não deixe de ver.

Lunar (Moon, 2009), 97 min.
Direção: Duncan Jones
Roteiro: Duncan Jones, Nathan Parker
Com: Sam Rockwell, Kevin Spacey (voz), Dominique McElligott, Rosie Shaw, Kaya Scodelario

Não dá para saber se “Educação” deixará a diretora dinamarquesa Lone Sherfig famosa. Já o futuro da atriz Carey Mulligan, porém, torna-se muito bom. Este é um daqueles filmes que poderiam ser destruídos por uma protagonista fraca. Com momentos onde até chega a lembrar a graça e doçura de Audrey Hepburn, Mulligan é o melhor do filme. Sem ela, “Educação” perderia toda sua beleza.

A história é baseada no livro de memórias escrito pela jornalista britânica Lynn Barber. A ambientação é certeira: Inglaterra, em 1961. Jenny (Mulligan), de 16 anos, vai a uma escola católica sob a constante pressão do pai de entrar para a Universidade de Oxford. Só que ela quer tempo para fazer as coisas que gosta, como tocar o violoncelo e escutar música francesa, além de seu sonho de visitar Paris. Um dia, quando voltava da escola, conhece um homem mais velho do que ela chamado David (Peter Sarsgaard), que lhe oferece carona para casa. Logo, Jenny passa a frequentar o círculo de amizades de David, com direito a concertos de música clássica e drinques em bares ao som de jazz. E, claro, apaixona-se por ele.

Pode-se ver “Educação” como um documento sobre o sentimento de liberação, principalmente feminina, aumentado durante os anos 60 e com reflexos visíveis na Inglaterra até hoje. Só que, mais do que isso, o filme é sobre o desenvolvimento da relação de Jenny e David, e como suas particularidades não têm época específica. Peter está bem no filme, mas fica ofuscado por Mulligan, o que deve deixar o casal um pouco desequilibrado. Mas o espectador não deve sentir nada disso. Com relação ao roteiro, só acredito que mais tempo de tela deveria ter sido dedicado à professora Stubbs (Olivia Williams).

“Educação” fala de juventude e de amor, com relato sociológico de pano de fundo. Não é uma obra-prima, nem um trabalho definitivo sobre seus temas, mas consegue fazer muito com quase nada. É um filme com charme e ambientação imersiva que completa um quadro bem interessante.

Educação (An Education, 2009), 95 min.
Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Lone Scherfig
Com: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Emma Thompson, Alfred Molina, Olivia Williams, Dominic Cooper, Rosamund Pike, Cara Seymour

One Comment

  1. Um filme que mostra que nem tudo são efeitos e pirotecnia desenfreada. Obrigatório para quem acredita no futuro da ficção científica.

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