Por Ricardo Prado

‘O Homem que Mudou o Jogo’ foge dos clichês

‘O Homem que Mudou o Jogo’ foge dos clichês

“O Homem que Mudou o Jogo” tenta fazer algo semelhante ao que seu protagonista real faz: apostar na estatística em vez da paixão nos esportes. O resultado é um filme que desperdiça a chance de conquistar pela paixão, mas se redime pelo roteiro direto e até amigável a quem não gosta de esportes. E mais: consegue o feito de se distanciar de muitos dos clichês de filmes esportivos.

Billy Beane é gerente de um time de baseball de Oakland e, após perder mais um campeonato, se vê diante da dura realidade: nunca terá chances, pois o orçamento do time é muito baixo, em contraste com o alto poder aquisitivo de times grandes. Aliado a um jovem formado em Economia, Peter Brand, Beane desenvolve um método para conseguir o máximo da eficiência dos jogadores por menos dinheiro, tudo através de estatística.

É bem verdade que, vista de longe, a sinopse lembra 90% dos filmes esportivos já feitos: um time em maré de azar se vê renovado pelas mãos de seu técnico através de um método pouco ortodoxo. O diferencial aqui é a forma com que esta fórmula, batida, é apresentada: o foco na estatística e sua importância para o jogo tomam o banco da frente. Em vez de torcer, o espectador vai estar mais interessado em ver até onde o time consegue chegar com tão poucos recursos reais.

Brad Pitt está bem como o protagonista, em um dos poucos papéis dos últimos anos em que pode assumir sua idade. Aliás, Pitt está mais parecido do que nunca com Robert Redford. A surpresa, aqui, é Jonah Hill. Até então conhecido por comédias como “Superbad – É Hoje” e “Ligeiramente Grávidos”, tem em “O Homem que Mudou o Jogo” sua primeira grande chance de brilhar em um papel dramático. Na realidade, seu personagem tem um pé no alívio cômico, mas, apesar disso, trata-se de uma evolução para o ator. Philip Seymour Hoffman é outro ponto forte do filme, mas ressaltar isto é chover no molhado.

Para um público que não conhece baseball e seus meandros, pode ser que “O Homem que Mudou o Jogo” acabe aborrecendo um pouco. Mas os mais atentos vão perceber que, no fundo, todos estes grandes esportes são iguais: são movidos pelo dinheiro (“Moneyball”, do título original). Um filme que mostra uma forma diferente de lidar com esta limitação é, sem dúvida, bem-vindo. Ficamos na expectativa de algum gerente de futebol tentar algo parecido e, no fim, virar personagem de filme.

O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011), 133 min.
Direção: Bennett Miller
Roteiro: Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin (roteiro), Michael Lewis (livro)
Com: Brad Pitt, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright, Chris Pratt, Stephen Bishop, Brent Jennings, Ken Medlock, Tammy Blanchard

Postar comentário