Tim Burton faz ‘Alice’ da geração Harry Potter
O livro “Alice no País das Maravilhas” é, sem dúvida, um dos trabalhos mais influentes da cultura mundial. Sua influência é tão grande que não gerou só homenagens e adaptações diversas, como virou um gênero por si só. E estava demorando para a história ser modernizada, já que, hoje, o imaginário popular remete à adaptação animada da Disney, de 1951. Digo modernizada, mas quero dizer adaptada às tendências do cinema atual. Este “Alice no País das Maravilhas” tem uma estrutura sólida, tal qual outros filmes de fantasia, e segue as orientações das cartilhas de “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis” e “As Crônicas de Narnia”. O resultado? Pouca coisa.
Nesta versão, Alice (Mia Wasikowska) tem 19 anos e é uma moça inconformada com a vida que a mãe tenta lhe impor. Depois de recusar casar-se com um lorde desinteressante, segue um coelho e acaba caindo por um buraco, indo parar em uma terra estranha… Mas, familiar. Sim, a grande diferença aqui é que Alice já conhecia o País das Maravilhas, pois havia sonhando com ele há 13 anos. Acreditando trata-se de mais um sonho, ela se aventura pelo lugar, conhecendo seus bizarros personagens. Logo ela descobre que sua chegada era esperada, e que o destino dela é derrotar o Jabberwocky, o dragão da Rainha Vermelha.
O traço Tim Burton que se percebe na direção de arte de “Alice no País das Maravilhas” não é o de clima sombrio e trevas, mas de atenção especial em criar planos bonitos, mesmo que se utilizando de efeitos especiais. Cada frame é uma verdadeira obra de arte. A trilha sonora de Danny Elfman está mais genérica do que nunca, porém.
A relativamente desconhecida atriz Mia Wasikowska faz tudo direitinho como a protagonista Alice, mesmo que, em alguns momentos, deixe de ser a personagem principal para dar lugar ao Chapeleiro Louco (Johnny Depp), que tem importância vertiginosamente aumentada em comparação a outras adaptações. A mulher de Burton, Helena Bonham Carter, aparece como a cabeçuda Rainha Vermelha, bem divertida. Só achei Anne Hathaway meio deslocada como a Rainha Branca, que tem pouco tempo de tela. Stephen Fry e Alan Rickman dão um verdadeiro show emprestando suas vozes ao Gato Cheshire e à lagarta Absolem. E preste atenção, pois a voz do temível Jabberwocky é feita por Christopher Lee.
Fica difícil saber se este “Alice no País das Maravilhas” ficará mais conhecido do que a animação, até então a versão mais famosa da história. O que Tim Burton fez aqui não deixa de ser válido: pegou uma história caótica e lhe adaptou aos moldes do cinema convencional. Isso vai enfurecer muitos fãs ardilosos, mas sempre há lugar para novas leituras. Só que este “Alice no País das Maravilhas” de forma alguma é a versão definitiva do enlouquecido livro de Lewis Carroll.
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010), 108 min.
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton (roteiro), Lewis Caroll (livro)
Com: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Matt Lucas, Stephen Fry (voz), Michael Sheen (voz), Alan Rickman (voz), Christopher Lee (voz)

Não sei por que algumas pessoas se decepcionaram com o filme. Creio que “Alice” cumpriu o papel que devia. Achei o filme lindo, cheio de boas piadas e sacadas legais do diretor. Eu curti pacas! E realmente a Helena Bonham Carter deu um plus, mas o Johnny Depp também foi sensacional. Agora para quem não gostou “cut off his head” rsrsrsrsrsr
Adorei a critica tb
parabens :D
totalmente fraco e decepcionante! A única que salva é a Helena Boham Carter… Nem Johnny Depp consegue!
Estou curioso para assistí-lo e mais ainda para ver o trabalho de Mia Wasikowska, mas parece que o longa deve pertencer mesmo ao Sr. Deep.
Belo texto e parabéns pelo novo site, ficou incrível.
Parabéns pelo novo site! E pela crítica!
Estou agora mais curiosa pra ver o filme.
bjoks