‘Um Gato em Paris’ resgata era de ouro da animação
A Europa parece ter encarnado o papel da Hollywood do passado quando se trata de animações. Enquanto os grandes estúdios investem cada vez mais em filmes gerados por computação gráfica, e, de preferência, em 3D, ocasionalmente surgem pequenas animações europeias que invocam tudo que já foi norma nesse setor: feitas à mão, animadas de forma tradicional e, principalmente, contam uma história cativante e acessível a todas as idades. Com “Um Gato em Paris” não é diferente.
A história tem como fio condutor o gato do título. Durante o dia, ele vive com uma menina chamada Zoe. À noite, é parceiro do ladrão Nico. As histórias paralelas acabam se unindo em meio a uma trama que repentinamente se torna um misto de suspense com filme policial ambientada pelos telhados de Paris.
A animação é tradicional, feita à mão e com direito até a crédito para a marca do papel nos letreiros finais. O traço dos personagens é bem simplista, contando até com algumas deformações que chegam a lembrar Picasso. É um estilo interessante que, aliado aos belos cenários urbanos e o uso competente das cores, faz de “Um Gato em Paris” uma bonita homenagem à era de ouro das animações. O enredo começa inocente mas se torna uma trama quase hitchcockiana. Apesar disso, é acessível a idades de 5 a 100.
“Um Gato em Paris” é curto, tem uma história que já vimos repetida várias vezes, e ainda assim tem um charme único. Isso se explica por sua ingenuidade: um traço despretensioso em uma forma abandonada pelos grandes estúdios. Para quem quer se lembrar da era de ouro das animações e conferir um exemplar bem feito deste tipo de filme, “Um Gato em Paris” vale a pena.
Um Gato em Paris (Une vie de chat, 2010), 70 min.
Direção: Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol
Roteiro: Alain Gagnol
Com: Dominique Blanc, Bruno Salomone, Jean Benguigui, Bernadette Lafont, Oriane Zani (vozes)
