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‘Vigaristas’ é divertida história de dois trambiqueiros

‘Vigaristas’ é divertida história de dois trambiqueiros

“Vigaristas” é um destes filmes que cria para si um universo tão particular e fascinante que nos esquecemos de que se passa no nosso próprio mundo, com personagens iguais aos do dia-a-dia, apenas com certas particularidades aumentadas. Pense em “Amélie Poulain”, só que com dois trambiqueiros no lugar de Audrey Tautou, e teremos um início de conversa relacionada a “Vigaristas”. Com Adrien Brody (“O Pianista”), Mark Ruffalo e Rachel Weisz como protagonistas, é uma aventura cativante e intrigante.

É a história de dois irmãos que vivem de aplicar golpes sempre bem orquestrados, chegando a se aproximar de uma arte. É sempre Stephen (Ruffalo) quem elabora os planos mirabolantes, enquanto Bloom (Brody) cada vez mais sente a necessidade de largar aquela vida. Eles se preparam, então, para aquele que será o último golpe de todos, e certamente o maior: enganar uma milionária excêntrica chamada Penélope (Rachel Weisz), por quem, fatalmente, Bloom irá se apaixonar.

Por se tratar de um filme que tem golpes como tema, é bom que o espectador espere reviravolta atrás de reviravolta, sem saber ao certo quem está enganando quem ou suspeitando que quem está sendo enganado, na verdade, está enganando. Esse nó me lembrou bastante “O Grande Truque”, onde dois mágicos tentam se surpreender e, no fim, fica complicado determinar o que era truque e o que era verdade. “Vigaristas” é mais leve nesse sentido, dá para entender o final, mas não deixa de ter um clímax que pode confundir quem não presta muita atenção.

Rachel Weisz está ótima como Penélope, encarnando das as excentricidades da personagem com muita graça. Apesar de ser um dos protagonistas, Ruffalo se distancia do centro várias vezes, deixando o palco mais para Weisz e Adrien Brody, que faz um tipo adorável, mas um tanto incauto. Achei interessante ver Max Records interpretando Stephen mais novo durante o prólogo. Em seguida, o garoto seria protagonista de “Onde Vivem os Monstros”, e surpreenderia bastante.

Vai gostar de “Vigaristas” quem entrar no jogo que o filme propõe e se deixar levar pelas esquisitices dos personagens. É, sem dúvida, mais uma prova do talento do diretor e roteirista Rian Johnson, que antes estreou muito bem dirigindo o excelente “Brick – A Ponta de um Crime”. Vale a pena ver.

Vigaristas (The Brothers Bloom, 2008), 114 min.
Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson
Com: Adrien Brody, Rachel Weisz, Mark Ruffalo, Rinko Kikuchi, Robbie Coltrane, Ricky Jay (voz)

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