Fazendo um mapa do cinema

‘O Falcão Maltês’ marcou início do cinema noir

‘O Falcão Maltês’ marcou início do cinema noir

Pelo menos, é assim que este filme de 1941 com direção assinalada por John Huston é considerado. Bem, digamos que esta não seja a única condecoração dada a esta narrativa, que tem sua origem como um dos romances do escritor americano Dashiell Hammett — conclamado pelo seu obituário publicado no “The New York Times” como “o reitor da escola de ficção policial”. “O Falcão Maltês” está na 56ª posição do ranking editora Modern Labrary para os 100 melhores romances do século XX.

A narrativa originou-se das próprias vivências de Dashiell, que trabalhou na Pinkerton National Detective Agency de 1915 a 1922. Por isso, não foi à toa que Dashiell não só revestiu algumas de suas próprias características em seu protagonista, como também lhe deu o seu primeiro nome: Samuel.

A adaptação de 1941, dirigida por John Huston, foi uma entre outras que a narrativa teve para o cinema. Contudo, esta em particular é considerada por boa parte da crítica como a obra-prima que originou o estilo “noir” no cinema — um preto-e-branco marcado por sombras que advêm do expressionismo alemão e que evoluiu para uma estética própria usada em filmes de 1940 a 1950. Ainda que existam até hoje dúvidas a respeito da temática noir, uma das mais recorrentes é a trama investigativa.

Samuel (Sam) Spade é o protagonista de “O Falcão Maltês” e tem uma firma de investigação em conjunto com Miles Archer. Um belo dia, entra uma bela mulher em seu escritório dizendo que sua irmã fugiu com um tipo chamado Floyd Thursby, e paga uma boa soma para que os detetives sigam Thursby. Seduzidos pelo vil metal, topam o caso — mas Sam observa que a bela mulher, Miss Wonderly, cheira a problemas.

E ele estava certo. Dentro em breve, Archer e Thursby são encontrados mortos e Sam é posto no meio da caçada pelo Falcão Maltês, originariamente de ouro maciço e originariamente um presente dos Cavaleiros de Malta para o Rei da Espanha. Só que o presente se “perdeu” pelo meio do caminho, passando por umas sem-mãos que, inclusive, o pintaram de esmalte preto para não ser reconhecido. Então a narrativa se transforma num jogo de voltas, reviravoltas, engodos e demais artimanhas que outros personagens lançam uns sobre os outros até que… ok, não vou contar o final.

Muito além da estética preto-e-branco e até mesmo da narrativa bem construída, uma das peculiaridades de “O Falcão Maltês” são as atuações, com destaque para a de Humphrey Bogart. Sóbrias, sem grandes caras, cacoetes e sustos, mas que revelam os estados de espírito dos personagens, demasiado humanos. E fique tranqüilo: tudo será muito bem explicadinho no final do filme, com todas as palavras, nos seus mínimos detalhes.

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