‘Virei fã dos Mamonas fazendo o filme’, diz diretor
Em menos de 10 meses, a banda Mamonas Assassinas saiu do anonimato para um dos maiores fenômenos da música brasileira. Irreverentes, inteligentes, sarcásticos e criativos, o grupo arrebatou o Brasil e, em pouco mais de seis meses, vendeu dois milhões de cópias de discos.
O documentário “Mamonas pra Sempre”, com estreia marcada para 4 de junho, reúne material inédito e depoimentos de parentes, amigos, produtores e músicos recontam a trajetória do grupo, os desafios, a ascensão e o trágico acidente aéreo que matou todos os seus integrantes em 1996.
Em entrevista ao Cinecartógrafo, o diretor Claudio Kahns contou detalhes sobre a produção e revelou que virou fã dos Mamonas Assassinas durante o trabalho no documentário.
Como surgiu a ideia para o projeto?
Fui procurado por uma cineasta que tinha essa idéia e acabei me envolvendo e desenvolvendo o projeto.
O plano original era fazer um longa de ficção, não é?
Na verdade, não foi uma mudança de ideia. Eu ainda pretendo fazer o filme de ficção ainda este ano. Talvez vire uma minissérie com quatro ou cinco capítulos. Estamos resolvendo neste momento como vai se desenvolver o projeto. Já temos roteiro e, dependendo de algumas respostas, já começamos a produção.
Do material que você resgatou para compor o documentário, qual te marcou mais?
Vários. Dentre eles, o desabafo de Dinho no ginásio Thomeuzão. É um momento emblemático na carreira dos Mamonas, já que eles foram tocar no ginásio da cidade de Guarulhos, local onde eles tinham sido impedidos de tocar quando ainda eram Utopia. E, contrariamente ao que Dinho fala em certo momento do filme, eles tinham sim uma mensagem: da confiança em si mesmo, de acreditar em seu sonho. É um momento forte, sem dúvida.
De que forma você lidou com o trágico fim da banda no documentário?
Com muita sutileza, da forma mais leve possível porque o que me interessava, e me interessa, é a trajetória de vida e não a tragédia da morte deles. Não me interessava, de forma alguma, explorar o acidente, até porque isso foi feito de forma muito ampla pela mídia em geral na época.
Você era fã dos Mamonas Assassinas?
Não, não era fã. Mas, fazendo o filme, acabei me tornando fã.
Ultimamente, temos visto muitos filmes sobre personagens da música, como Titãs, Arnaldo Baptista, Cazuza… Era só uma questão de tempo até que se retratasse os Mamonas?
Acredito que sim. A trajetória dos Mamonas Assassinas pedia um filme e eu tentei ser o mais fiel possível à história de vida e carreira deles.
Você vê espaço para o surgimento de “novos Mamonas” na música brasileira?
Claro, desde que eles sejam tão criativos quanto os Mamonas foram. Mas não vai ser algo muito fácil, acho que os Mamonas foram produto de seu talento, da época e das circunstâncias.
Fale um pouco sobre o seu trabalho na Tatu Filmes.
Bom, aí você já me pede algo mais dificil. Falar de meu trabalho é algo mais extenso. Estou há 30 anos na batalha pelo cinema brasileiro. Foram diferentes fases, mas sempre procurei fazer filmes que interessassem os diferentes públicos no Brasil e também no exterior. Acho que alguns filmes ainda terão que ser redescobertos, como “O Judeu” ou “Sobras em Obras”, só pra citar dois títulos.
De que forma você acha que a juventude irá absorver o documentário?
Boa pergunta. Se eu soubesse isso, viraria produtor de cinema! Brincadeira, acho que a juventude vai receber bem, já fizemos várias projeções Brasil afora e o filme tem sido muito bem recebido.
E os seus projetos para o futuro?
Bom, entre eles, o próprio ficção sobre os Mamonas e outro chamado “Rouge Brésil”/”Vermelho Brasil”, em coprodução com a França, todos pra 2011. Há também uma série sobre os anos 1937 a 1945, sobre o governo de Getúlio Vargas. Enfim, fora esses há ainda alguns outros, mas isso fica para outra vez.

Grandes Mamonas! Eternos!!!