Fazendo um mapa do cinema

Série Harry Potter: ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’

Série Harry Potter: ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’

Independente de terem sido escritos de olho em adaptações para o cinema, a série “Harry Potter”, escrita pela inglesa J. K. Rowling e lançada pela primeira vez no Reino Unido em 1997, tem, sim, um valor visual e imaginativo muito vasto. Já na primeira história, a autora trata de criar e desenvolver uma complexa mitologia, que vai desde as particularidades da escola de bruxos, Hogwarts, até o tipo de doce que os jovens comem, como os sapos de chocolate. E só deu certo em cinema porque teve uma produção respeitável por trás e a consultoria direta da própria autora. Com uma direção de arte digna de uma história de fantasia, um elenco principal desconhecido e nenhuma pressa em contar tudo do mais importante do livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” chegou aos cinemas com um potencial que se confirmou.

Em 1999, a autora Rowling vendeu os direitos dos quatro primeiros livros de sua série para a Warner Bros., por um valor divulgado como de 1 milhão de libras. Fazia questão que o elenco fosse estritamente inglês (apesar de o intérprete de Dumbledore, Richard Harris, ser escocês). O filme estreou em 2001 e foi bem recebido pela crítica e, principalmente, pelo público. Quem não conhecia a história tratou de devorar os quatro livros que já estavam nas livrarias, além de garantir assentos nas salas quando estreassem os próximos filmes.

Ao mesmo tempo em que introduz o universo dos bruxos, que convivem em segredo entre as pessoas normais (ou “trouxas”), “Harry Potter e a Pedra Filosofal” também se dedica ao desenrolar da aventura envolvendo a tal pedra. Com quase duas horas de meia de filme, acontece muita coisa: Harry descobre ser um bruxo, desvenda seu passado sombrio, vai a Hogwarts, conhece seus amigos, aprende a voar de vassoura, entra para o time de Quadribol, sofre um ataque de Trasgo, descobre a história por trás da pedra filosofal e, por fim, fica cara-a-cara com Voldemort, o grande vilão da saga, e que foi responsável pela cicatriz que Harry carrega em sua testa.

O nome gerou um pouco de confusão depois que acabou mudando, quando o filme estreou nos Estados Unidos. Em inglês, o primeiro livro se chama “Harry Potter and the Philosopher’s Stone”, mas se chama “Harry Potter and the Sorcerer’s Stone” nos EUA, supostamente porque as crianças de lá não se interessariam por uma pedra filosofal, mas sim por uma “pedra de feiticeiro”.

Encontrar um castelo gigantesco para servir de Hogwarts não deve ter sido difícil, já que o Reino Unido é notório por ainda contar com diversos deles em seu território. Hogwarts é “interpretada” pelo castelo Alnwick, que fica em Northumberland, e que foi residência do duque do lugar. Construído inicialmente em 1096, foi residência da linhagem Northumberland até o século 16. É o mesmo castelo utilizado em filmes como “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (1991) e “Elizabeth” (1998). O castelo ficou estabelecido como Hogwarts em todos os filmes que seguiriam.

Já os papéis principais tiveram seus atores escolhidos por extensivos testes feitos com milhares de crianças britânicas. Dos três, Daniel Radcliffe é o único que já havia atuado antes (ele interpretou um jovem David Copperfield no filme homônimo para a tevê inglesa, e também esteve em “O Alfaiate do Panamá”, com Pierce Brosnan e Jamie Lee Curtis). Escolhas preciosas também foram feitas entre o elenco mais experiente, o dos professores, como Maggie Smith, que faz a professora Minerva McGonagall, Richard Harris, o professor Dumbledore, Alan Rickman, como o professor Snape, e até John Cleese, ex-Monty Python, em um papel tão “humor britânico” como: Nick Quase-Sem-Cabeça.

Os anos 2000 serão lembrados em cinema como a época em que grandes épicos de fantasia foram feitos, já que a tecnologia permitia que se pudesse fazer de tudo, praticamente. Coincidentemente, mais tarde, no mesmo ano, também seria lançado outro grande marco dessa década, que seria “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, também inspirado em literatura, e que teve seu universo transposto para o cinema com competência graças a uma direção de arte à altura. “Harry Potter”, hoje, já tem garantidas adaptações para todos os seus livros, até o final. Isso é resultado da competência da produção e também dos fãs, que pularam em números surpreendentes nesse barco e não quiseram sair mais.

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