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	<title>Cinecartógrafo</title>
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	<description>Por Ricardo Prado</description>
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		<title>‘Vingadores’ não decepciona e é o melhor do gênero</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 23:26:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacqueline Gomes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quinta-feira, 26 de abril de 2012, 23h55. Pré-estreia de &#8220;Os Vingadores&#8221;. Devo dizer que espero por esse momento há muito tempo, tempo demais. Quatro anos, para ser exata, desde a primeira aparição de Samuel L. Jackson como Nick Fury, no primeiro &#8220;Homem de Ferro&#8221;. Não leio quadrinhos, mas passei a minha infância assistindo desenhos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quinta-feira, 26 de abril de 2012, 23h55. Pré-estreia de &#8220;Os Vingadores&#8221;. Devo dizer que espero por esse momento há muito tempo, tempo demais. Quatro anos, para ser exata, desde a primeira aparição de Samuel L. Jackson como Nick Fury, no primeiro &#8220;Homem de Ferro&#8221;. Não leio quadrinhos, mas passei a minha infância assistindo desenhos e eu tinha uma noção do que estava por vir. Esperei tanto por esse momento que estava até com medo de ir ao cinema e me decepcionar com tamanha empolgação. Acredite, isso já aconteceu antes. E, para minha surpresa e muita alegria, &#8220;Os Vingadores&#8221; foi tudo, menos uma decepção. Foi simplesmente o melhor filme do gênero de heróis.</p>
<p>Desde os primeiros minutos do longa, há ação e muita. O irmão de Thor, Loki (Tom Hiddleston) acaba de ser teletransportado para a Terra pelo cubo Tesseract, o mesmo que aparece nos filmes &#8220;Thor&#8221; e &#8220;Capitão América&#8221;. Através deste cubo, Loki deseja abrir um portal para trazer seu exército, e fazer dos humanos escravos. O diretor da S.H.I.E.L.D., Nick Fury, se vê desesperado e assim recruta Tony Stark (Robert Downey Jr.), Steve Rogers (Chris Evans) e Bruce Banner (Mark Ruffalo), mais conhecidos como Homem de Ferro, Capitão América e o Hulk. Os três precisam encontrar uma maneira de deter Loki e encontrar o cubo escondido por ele. Só que o problema se vê na disputa de ego de cada um deles, deixando de lado a urgência de se unirem. Thor aparece para levar o irmão embora e salvar o planeta, mas esse também acaba entrando em rixa com os outros, deixando Loki a solta para fazer o que puder. As conseqüências são catastróficas. Vidas são perdidas. Entre elas, um dos personagens mais importantes. E esse luto desperta &#8220;Os Vingadores&#8221;.</p>
<p>Todos os personagens são bem construídos. Não há estrelismo. Cada um tem seu tempo em tela. O diretor e roteirista Joss Whedon (&#8220;Buffy &#8211; A Caça Vampiros&#8221; e &#8220;Firefly&#8221;) foi um gênio em poder colocar tanta gente num filme só sem deixá-lo poluído. Sam Raimi poderia aprender umas coisinhas, afinal &#8220;Homem-Aranha 3&#8243; foi um lixo, por ter tanto personagem em uma trama.</p>
<p>O humor não decepciona, dando a Tony Stark o título de &#8220;trollador oficial&#8221; do grupo. Ninguém passa despercebido. Robert Downey Jr. está cada vez mais a vontade com seu personagem &#8220;gênio, bilionário, playboy, filantropo&#8221;, deixando claro que ele é e sempre será o Homem de Ferro.</p>
<p>Aliás, cada ator que revive seu papel em &#8220;Os Vingadores&#8221; parece mais à vontade. Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Chris Evans, Jeremy Renner, todos estão muito melhores do que antes. E Mark Ruffalo estreando como Bruce Banner/Hulk? Esse nasceu pronto. O ator deixou claro que foi a melhor escolha em substituir Edward Norton, que recusou voltar ao papel por &#8220;desavenças&#8221;. Os fãs agradecem. Mark e Joss conseguiram dar um ar de graça ao personagem e nenhum sinal de depressão, que era tão expressiva nos outros filmes. Até quando Bruce diz que tentou se matar, mas o &#8220;outro cara&#8221; cuspiu a bala, fica hilário. De fato, Hulk foi o melhor personagem do filme. Palmas, meninos.</p>
<p>Aplausos, aliás, para Tom Hiddleston, por trazer um Loki tão psicótico. Em &#8220;Thor&#8221;, o personagem era emocionalmente fraco para se tornar um vilão. Mas neste filme, o ator foi além e conseguiu fazer do irmão adotivo de Thor, um dos melhores vilões.</p>
<p>As cenas de ação são muito bem feitas. No momento em que Nova York está em guerra, é como se estivéssemos lá. É tudo muito rápido. Destruição, um exército, mais destruição, carros voando, heróis em cena, tudo muito bem elaborado, tornando difícil acreditar que tudo foi feito em um cenário com fundo verde atrás. As lutas são ótimas, o Hulk é ótimo. Vê-lo depois da ordem do Capitão América com &#8220;Hulk, esmaga!&#8221; foi uma das melhores coisas que já vi. Mais uma vez, Joss Whedon foi um gênio e conseguiu provar que sim, o Hulk pode ser feito de computação gráfica sem ficar um lixo como nos outros filmes. As melhores cenas de luta são dele. Uma das cenas, inclusive, teve aplausos no cinema, como se fosse um show. Isso, nas quatro vezes que vi o filme.</p>
<p>Enfim, &#8220;Os Vingadores&#8221; é ótimo. Tanto para quem acompanhou durante quatro anos todos os detalhes sobre o filme como para quem nem sabe sobre o que se trata. É uma ótima pedida tanto para quem quer ação duas horas direto, quanto para quem quer dar altas gargalhadas. É para todos. E dica para os fãs: Fiquem até o fim dos créditos finais para uma cena espetacular. Garanto que não vão se decepcionar.</p>
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		<title>&#8216;Shame&#8217; ousa quebrar tabus de sociedade puritana</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 14:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo com o proeminente puritanismo americano, ainda conseguem sair alguns poucos filmes que buscam uma abordagem mais honesta do sexo sem recorrer a metáforas ou alusões. Com um excelente elenco, direção caprichada e roteiro inventivo, &#8220;Shame&#8221; vai chocar aqueles acostumados com o ambiente esterilizado de Hollywood. Brandon (Michael Fassbender) mora em um belo apartamento em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo com o proeminente puritanismo americano, ainda conseguem sair alguns poucos filmes que buscam uma abordagem mais honesta do sexo sem recorrer a metáforas ou alusões. Com um excelente elenco, direção caprichada e roteiro inventivo, &#8220;Shame&#8221; vai chocar aqueles acostumados com o ambiente esterilizado de Hollywood.</p>
<p>Brandon (Michael Fassbender) mora em um belo apartamento em Nova York, é bem sucedido e consegue qualquer mulher que quiser. Sua rotina de amante insaciável é abalada com a chegada inesperada da irmã, Sissy (Carey Mulligan).</p>
<p>É raro ver tamanho envolvimento de um ator com um filme. Fassbender se entrega literalmente de corpo inteiro ao filme e ao diretor, Steve McQueen, com quem já havia trabalhado em &#8220;Hunger&#8221;. O papel é difícil porque há muita hipocrisia em torno do assunto: o ponto principal não é o vício de Brandon em sexo, mas o que o leva a isso. O conflito com a irmã revela algo mais interessante: há um assunto terrível e não resolvido entre eles no passado. Essa dinâmica é bem sucedida graças ao excelente roteiro e à boa química entre Fassbender e Mulligan.</p>
<p>É triste que, em pleno século 21, um filme como &#8220;Shame&#8221; precise ser chamado de corajoso. Trata-se de um ensaio sobre a solidão, um retrato honesto sobre a diferença entre amor e sexo. Tudo isso é conduzido de forma competente pelo diretor e pelo protagonista, que estão mais em sintonia do que nunca. Quem ganha é o espectador.</p>
<p><strong>Shame (2011), 101 min.</strong><br />
<strong>Direção: Steve McQueen</strong><br />
<strong>Roteiro: Steve McQueen, Abi Morgan</strong><br />
<strong>Com: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Alex Manette, Nicole Beharie, Anna Rose Hopkins, Hannah Ware, Elizabeth Masucci</strong></p>
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		<title>Com bom ritmo e elenco, &#8216;Jogos Vorazes&#8217; é ótima aposta</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 15:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O cinema está precisando de uma nova franquia de qualidade vinda dos best-sellers. Parece que virou uma das coisas que Hollywood precisa ter em seu catálogo, principalmente agora que &#8220;Harry Potter&#8221; terminou. Depois de algumas tentativas fracassadas, parece que, enfim, surgiu seu substituto. &#8220;Jogos Vorazes&#8221; cumpre todas as especificações: é baseado em um livro que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema está precisando de uma nova franquia de qualidade vinda dos best-sellers. Parece que virou uma das coisas que Hollywood precisa ter em seu catálogo, principalmente agora que &#8220;Harry Potter&#8221; terminou. Depois de algumas tentativas fracassadas, parece que, enfim, surgiu seu substituto. &#8220;Jogos Vorazes&#8221; cumpre todas as especificações: é baseado em um livro que já tem uma história e universo interessantes, faz uma transposição competente para o cinema e, de quebra, aproveita um bom elenco. Definição mais pura de um bom blockbuster, é indicação para qualquer público.</p>
<p>A história se passa no futuro, onde um governo opressor toma conta de todos aspectos da vida de seus cidadãos. Uma de suas idiossincrasias é a realização de um programa de televisão que coloca 24 jovens para lutar até a morte em uma arena selvagem. Quando sua irmã mais nova é sorteada para arriscar a vida no show de horrores, Katniss (Jennifer Lawrence) se voluntaria para ir no lugar dela.</p>
<p>Jennifer Lawrence já havia nos mostrado que é uma atriz excepcional. É só assistir &#8220;Inverno da Alma&#8221; e &#8220;X-Men: Primeira Classe&#8221;. Com &#8220;Jogos Vorazes&#8221;, enfim surge a oportunidade de ter seu nome ligado a uma franquia de qualidade e de sucesso. Como a protagonista, Lawrence está excelente. O filme, aliás, conta com um elenco discreto mas eficiente. Stanley Tucci está ótimo como o apresentador do programa, retratado como um reality show, enquanto Donald Sutherland faz participações rápidas como o presidente soberano daquela nação. Woody Harrelson faz uma espécie de veterano dos Jogos Vorazes e, por mais que um pouco caricato, não está tão insuportável.</p>
<p>&#8220;Jogos Vorazes&#8221; faz o que toda adaptação literária deve fazer, independente de já ser um sucesso ou não: funciona independente de sua fonte. O ritmo preciso do filme consegue puxar o espectador para seu mundo sem que ele queira sair. A história é relativamente simples quando comparada a outras tramas ambientadas em futuros inóspitos, mas deve contagiar quem já não é fã do universo dos livros. Como cinema, é um acerto. E, para a alegria de Hollywood, um acerto popular.</p>
<p><strong>Jogos Vorazes (2012), 142 min.</strong><br />
<strong>Direção: Gary Ross</strong><br />
<strong>Roteiro: Gary Ross, Suzanne Collins, Billy Ray (roteiro), Suzanne Collins (livro)</strong><br />
<strong>Com: Jennifer Lawrence, Stanley Tucci, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Willow Shields, Wes Bentley, Donald Sutherland</strong></p>
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		<title>&#8216;Circunstância&#8217; mostra amor homossexual no Irã</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 01:36:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Histórias de amores proibidos vão existir sempre, pelo que parece. O que as mantém interessantes são as formas com que se transformam ao longo do tempo. A de &#8220;Circunstância&#8221; poderia muito bem se passar no século passado, mas é atual justamente por se passar em um país opressor como o Irã. As intenções são boas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Histórias de amores proibidos vão existir sempre, pelo que parece. O que as mantém interessantes são as formas com que se transformam ao longo do tempo. A de &#8220;Circunstância&#8221; poderia muito bem se passar no século passado, mas é atual justamente por se passar em um país opressor como o Irã. As intenções são boas, mas o filme sofre de alguns problemas que podem miná-las. Apesar disso, oferece um ponto de vista diferente sobre a homossexualidade em um país restritivo.</p>
<p>As jovens Atafeh e Shireen vivem um romance proibido com o agravante de viverem no Irã, onde as mulheres são tratadas como pessoas de segunda classe. A origem de repressão mais inesperada é o irmão de Atafeh, um ex-viciado em drogas convertido ao Islamismo que é obcecado por Shireen.</p>
<p>&#8220;Circunstância&#8221; sofre de alguns problemas que podem afastar até o espectador mais dedicado. Sua apresentação é sensacionalista e o ritmo, instável. As protagonistas trabalham direitinho, mas pouco destaque é dado ao melhor do elenco, Reza Sixo Safai, que faz o irmão de Arafeh. O grande trunfo de &#8220;Circunstância&#8221; é mostrar o submundo da vida norturna do Irã, mesmo que de forma um pouco exagerada e dramatizada.</p>
<p>Com boas intenções e alguns problemas, &#8220;Circunstância&#8221; não é para todos. Realmente é interessante o retrato de um romance homossexual em um país como o Irã, mas é fato que algo assim seria tabu até em países ditos mais esclarecidos. Se gerar discussão, já se torna uma experiência cinematográfica valiosa.</p>
<p><strong>Circunstância (Circumstance, 2011), 107 min.</strong><br />
<strong>Direção: Maryam Keshavarz</strong><br />
<strong>Roteiro: Maryam Keshavarz</strong><br />
<strong>Com: Nikohl Boosheri, Sarah Kazemy, Reza Sixo Safai, Soheil Parsa, Nasrin Pakkho, Amir Barghashi</strong></p>
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		<title>Santoro tem atuação memorável em &#8216;Heleno&#8217;</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 10:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estranhamente, o cinema brasileiro investe bem pouco no futebol. O esporte que envolve maiores multidões no país raramente ganha os holofotes em longas nacionais, salvo alguns casos especiais. &#8220;Heleno&#8221; é um destes casos especiais, mas seus méritos transcendem tudo isso: Rodrigo Santoro tem aqui a sua melhor interpretação da carreira, além de ser um dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estranhamente, o cinema brasileiro investe bem pouco no futebol. O esporte que envolve maiores multidões no país raramente ganha os holofotes em longas nacionais, salvo alguns casos especiais. &#8220;Heleno&#8221; é um destes casos especiais, mas seus méritos transcendem tudo isso: Rodrigo Santoro tem aqui a sua melhor interpretação da carreira, além de ser um dos trabalhos mais marcantes do cinema nacional recente. E sim, é sobre futebol.</p>
<p>Heleno de Freitas é considerado o primeiro &#8220;craque problema&#8221; do futebol brasileiro. Ídolo do Botafogo e considerado o príncipe do Rio de Janeiro dos anos 40, tinha um gênio explosivo e era apaixonado pelos campos de futebol, por belas mulheres e por carros. Por conta de seus vícios, tem a história de glórias transformada em tristeza.</p>
<p>Rodrigo Santoro já teve várias oportunidades de brilhar, tanto no Brasil como no resto do mundo. Seu grande papel até hoje, o do protagonista de &#8220;Bicho de Sete Cabeças&#8221;, rivaliza agora com &#8220;Heleno&#8221;. Santoro encarna o personagem com uma profundidade assustadora, o que permite ao espectador perceber o quão longe o ator consegue ir. Quem também se destaca é Alinne Moraes, no papel da mulher de Heleno; é saudável que mostre que não é só uma atriz de novelas.</p>
<p>Com um roteiro inteligente e ritmo certeiro, &#8220;Heleno&#8221; acerta ao investir no lado humano da história. Mesmo quem não se interessa por futebol ou não era nascido na época em que Heleno jogava vai se interessar e se identificar com os acontecimentos do longa. Para tornar a imersão ainda mais competente, o diretor une tomadas reais do Rio de Janeiro da época ao resto das cenas. E o melhor: o longa não faz julgamentos nem tenta passar mensagens hipócritas.</p>
<p><strong>Heleno (2011), 116 min.</strong><br />
<strong>Direção: José Henrique Fonseca</strong><br />
<strong>Roteiro: José Henrique Fonseca, Fernando Castets, Felipe Bragança</strong><br />
<strong>Com: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Orã Figueiredo, Henrique Juliano</strong></p>
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		<title>Novo &#8216;Fúria de Titãs&#8217; repete erros do anterior</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 02:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aparentemente estabelecida como franquia, &#8220;Fúria de Titãs&#8221; ganha uma continuação mais uma vez calcada no 3D e pouco interessada no resto. Este segundo filme volta a investir em um conflito entre grandes nomes da mitologia grega, mas um roteiro raso e interpretações patéticas destroem qualquer boa intenção, se é que alguma existia. Usando o anterior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aparentemente estabelecida como franquia, &#8220;Fúria de Titãs&#8221; ganha uma continuação mais uma vez calcada no 3D e pouco interessada no resto. Este segundo filme volta a investir em um conflito entre grandes nomes da mitologia grega, mas um roteiro raso e interpretações patéticas destroem qualquer boa intenção, se é que alguma existia. Usando o anterior como parâmetro, fica difícil determinar qual é mais dispensável.</p>
<p>Depois de derrotar o monstro Kraken, Perseu (Sam Worthington), leva uma vida tranquila criando o filho Helius. Enquanto isso, uma luta por supremacia opõe os deuses, enfraquecidos pela falta de crença dos homens, e os titãs, liderados por Cronos.</p>
<p>Sam Worthington ainda está para mostrar que sabe atuar em vez de só dizer as falas e fazer pose. Em &#8220;Avatar&#8221; foi assim, em &#8220;Fúria de Titãs&#8221; foi assim, e agora tudo se repete. Não serve para protagonista, ao menos. Já Liam Neeson retorna com melhor performance que no filme anterior, assim como Ralph Fiennes. O elenco secundário, no entanto, falha demais; isto, inclusive, parece se transferir diretamente de &#8220;Fúria de Titãs&#8221;.</p>
<p>Desde seu primeiro filme (um remake, na verdade), &#8220;Fúria de Titãs&#8221; mais parece estar servindo para suprir a cota de filmes 3D com o máximo de caos visual, com explosões, criaturas místicas voando pelos ares e muito sangue. Se este não é o caso, então o anterior e esta continuação não tem outra função no cinema, definitivamente. E nem se trata de um filme filmado em 3D; trata-se de mais um destes longas convertidos na pós-produção. Quem viu &#8220;A Invenção de Hugo Cabret&#8221; ou mesmo &#8220;Avatar&#8221; sabe a diferença.</p>
<p><strong>Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, 2011), 99 min.</strong><br />
<strong>Direção: Jonathan Liebesman</strong><br />
<strong>Roteiro: Dan Mazeau, David Johnson</strong><br />
<strong>Com: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Édgar Ramirez, Toby Kebbell, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston</strong></p>
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		<title>&#8216;Raul&#8217; corrige falha e traz retrato digno no cinema</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 01:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos maiores nomes da música brasileira, Raul Seixas ainda não tinha um documentário sobre sua vida e obra. E isso era inaceitável. Agora, com &#8220;Raul &#8211; O Início, o Fim e o Meio&#8221;, esta falha pode ser remediada. Fica claro ao longo do documentário que a parte de pesquisa e produção jornalística foi pesada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos maiores nomes da música brasileira, Raul Seixas ainda não tinha um documentário sobre sua vida e obra. E isso era inaceitável. Agora, com &#8220;Raul &#8211; O Início, o Fim e o Meio&#8221;, esta falha pode ser remediada.</p>
<p>Fica claro ao longo do documentário que a parte de pesquisa e produção jornalística foi pesada, já que a coleção de depoimentos é muito boa. Mesmo quem se recusou a falar, a primeira mulher de Raul, acaba sendo citada. O que acaba chamando mais a atenção, no entanto, é o depoimento de Paulo Coelho, sem o qual seria difícil fazer tal apanhado.</p>
<p>Walter Carvalho (&#8220;Budapeste&#8221;, &#8220;Cazuza &#8211; O Tempo Não Pára&#8221;) faz não só um documentário calcado no clássico como também aposta em algumas manobras mais distintas, como a dramatização de alguns segmentos. O tom é de construção: o documentário serve como homenagem para os fãs e para introduzir esta figura da cultura brasileira a não iniciados.</p>
<p>&#8220;Raul &#8211; O Início, o Fim e o Meio&#8221; era mais do que necessário, e o cinema documental brasileiro faz um pouco mais de sentido após ele. E ainda bem que foi conduzido por gente que sabe o que está fazendo. Poucas personalidades deste âmbito recebem o tratamento merecido, então louvemos não só o documentário como também sua equipe.</p>
<p><strong>Raul &#8211; O Início, o Fim e o Meio (2011), 100 min.</strong><br />
<strong>Direção: Walter Carvalho, Leonardo Gudel</strong></p>
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		<title>&#8216;Arrietty&#8217; resgata qualidades das animações clássicas</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 00:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Como é bom ver que ainda existem autores preocupados em manter vivas certas boas práticas do cinema. Para quem suspira com nostalgia lembrando-se dos clássicos Disney vistos na infância, uma boa notícia. Com roteiro de Hayao Miyazaki (&#8220;A Viagem de Chihiro&#8221;), &#8220;O Mundo Secreto de Arrietty&#8221; dá continuidade à boa fase da animação japonesa, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como é bom ver que ainda existem autores preocupados em manter vivas certas boas práticas do cinema. Para quem suspira com nostalgia lembrando-se dos clássicos Disney vistos na infância, uma boa notícia. Com roteiro de Hayao Miyazaki (&#8220;A Viagem de Chihiro&#8221;), &#8220;O Mundo Secreto de Arrietty&#8221; dá continuidade à boa fase da animação japonesa, que continua seguindo pelo caminho dos desenhos clássicos feitos à mão. A viagem é memorável e serve para todas as idades, mesmo.</p>
<p>Arrietty mede cerca de um palmo de altura e vive em uma casinha improvisada com os pais abaixo do assoalho de uma casa de veraneio. Para os pais dela, é extremamente perigoso qualquer contato com as pessoas normais. Arrietty, no entanto, acaba fazendo amizade com o jovem Sho, que vai passar alguns dias na casa em preparação para uma cirurgia no coração.</p>
<p>A atenção aos detalhes é impressionante. O enredo pede esse nível de dedicação, afinal. Tanto a casinha de Arrietty como a casa maior tem nuances e características únicas. O traço também é delicioso: contornos bem definidos, cores vivas e animação de qualidade. A ingenuidade da história não acaba gerando um roteiro previsível: o importante, ao final, não é exatamente o futuro dos pequeninos ou do garoto Sho, mas a importância do contato dele com Arrietty. E o público, de qualquer idade mesmo, vai captar e gostar.</p>
<p>Animação de alto nível que dispensa a necessidade de computação gráfica e 3D, &#8220;O Mundo Secreto de Arrietty&#8221; vai encantar públicos de diversas idades; principalmente os mais velhos, que cresceram assistindo aos clássicos Disney.</p>
<p><strong>O Mundo Secreto de Arrietty (Kari-gurashi no Arietti, 2010), 94 min.</strong><br />
<strong>Direção: Hiromasa Yonebayashi</strong><br />
<strong>Roteiro: Hayao Miyazaki, Keiko Niwa (roteiro), Marty Norton (livro)</strong><br />
<strong>Com: Mirai Shida, Ryûnosuke Kamiki, Kirin Kiki, Tatsuya Fujiwara, Tomokazu Miura, Shinobu Ohtake, Keiko Takeshita (vozes)</strong></p>
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		<title>Vida sem rumo é o foco de &#8216;Beleza Adormecida&#8217;</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 02:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Estreando na direção, a australiana Julia Leigh entrega um drama tão particular e difícil que vai agradar a bem poucos. Com um roteiro minimalista e competente, &#8220;Beleza Adormecida&#8221; pode chocar com alguns tabus, mas sua força está na forma com que traz o espectador para seu mundo e o convida a compreender sua mensagem. Lucy [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estreando na direção, a australiana Julia Leigh entrega um drama tão particular e difícil que vai agradar a bem poucos. Com um roteiro minimalista e competente, &#8220;Beleza Adormecida&#8221; pode chocar com alguns tabus, mas sua força está na forma com que traz o espectador para seu mundo e o convida a compreender sua mensagem.</p>
<p>Lucy (Emily Browning) é uma jovem universitária que vive a própria vida de forma &#8220;anestesiada&#8221;, sem criar conexões significativas com as pessoas nem buscar algo de concreto em seu trabalho. Faz programa em um bar, é estagiária em um escritório, trabalha em um bar e se submete a experiências médicas, tudo em troca de dinheiro. Nem mesmo quando uma proposta bem mais estranha aparece ela sai deste estado de indiferença.</p>
<p>Ao longo de quase todo o filme, é impossível que aconteça uma identificação com Lucy. Viver sem rumo é algo familiar para muita gente, mas, no caso de Lucy, trata-se de algo bem mais extremo. Isso se confirma quando é chamada para um serviço de fetiche em uma mansão. E mesmo neste trabalho, ela permanece presa nessa inércia, nessa indiferença. Emily Browning, de &#8220;Sucker Punch&#8221;, faz um retrato competente sem exageros. O único deslize perceptível de longe é o ritmo: o filme é arrastado.</p>
<p>Cru na forma com que trata da indiferença, o simples fato de &#8220;Beleza Adormecida&#8221; aborrecer com facilidade comprova o sucesso de suas intenções, por incrível que pareça. Mesmo com o problema de ritmo, trata-se de um drama sensível que não se apóia em caricaturas.</p>
<p><strong>Beleza Adormecida (Sleeping Beauty, 2011), 101 min.</strong><br />
<strong>Direção: Julia Leigh</strong><br />
<strong>Roteiro: Julia Leigh</strong><br />
<strong>Com: Emily Browning, Rachael Blake, Ewen Leslie, Peter Carroll, Chris Haywood, Hugh Keays-Byrne, Eden Falk</strong></p>
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		<title>&#8216;Pina 3D&#8217; traz performances para perto do espectador</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Mar 2012 02:29:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Prado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>

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		<description><![CDATA[Exemplos ruins do uso do 3D aparecem aos montes. Hollywood pega um filme mais ou menos, converte para 3D e, assim, assegura um faturamento melhor. Neste cenário horrendo é positivo que ainda exista esperança: Wim Wenders faz uso deste recurso para transformar o documentário &#8220;Pina 3D&#8221; em uma experiência ainda mais intensa. Além disso, cria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exemplos ruins do uso do 3D aparecem aos montes. Hollywood pega um filme mais ou menos, converte para 3D e, assim, assegura um faturamento melhor. Neste cenário horrendo é positivo que ainda exista esperança: Wim Wenders faz uso deste recurso para transformar o documentário &#8220;Pina 3D&#8221; em uma experiência ainda mais intensa. Além disso, cria uma estrutura que coloca o trabalho da coreógrafa alemã Pina Bausch sob os holofotes.</p>
<p>Pontuado pelas coreografias mais famosas de Pina e conduzido por uma direção calma e reflexiva, &#8220;Pina 3D&#8221; fala diretamente ao seu público alvo ao mesmo tempo em que transforma o cinema em palco com a ilusão de profundidade proporcionada pelo 3D. Nem os poucos depoimentos reunidos são tradicionais, em &#8220;voice-over&#8221;. Olhando de perto, fica claro que &#8220;Pina 3D&#8221; é mais uma homenagem a Pina do que um documentário sobre ela, exatamente. A coreógrafa faleceu em 2009, quando o filme ainda estava em pré-produção.</p>
<p>Como cinema, trata-se de um belo exemplo de como usar o recurso do 3D para trazer ainda mais qualidade a um filme, inclusive um documentário. &#8220;Pina 3D&#8221; apela para um nicho bem específico, mas mesmo para quem não interessa por dança ou teatro precisa descobrir o trabalho de Pina. E, de um jeito ou de outro, há chances de se deixar levar pelos efeitos visuais.</p>
<p><strong>Pina 3D (Pina, 2011), 103 min.</strong><br />
<strong>Direção: Wim Wenders</strong></p>
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