Fazendo um mapa do cinema

Cinema feminino é tema do 8º Curta Santos

Cinema feminino é tema do 8º Curta Santos

O tema da edição deste ano do Curta Santos será o Feminino no Cinema, tendo como musa a atriz Leila Diniz (1945-1972). A festa começa em 14 de setembro e vai até 18 de setembro. Os locais de exibição, assim como os eventos que farão parte do festival, serão divulgados posteriormente.

Em entrevista ao Cinecartógrafo, o diretor do Curta Santos, Toninho Dantas, explicou a escolha do tema deste ano, falou sobre as novidades da 8º edição e se revelou um apaixonado pelas musas do cinema.

Por que falar do feminino no cinema na 8º edição do Curta Santos?
Desde o seu nascimento, o cinema retrata a mulher de forma especial. Quando o cinema nasceu há 100 anos, o mundo masculino fazia fetiche com a mulher fatal, a heroína, a devoradora de homens, sempre retratada pela ótica masculina. Podemos afirmar que nestes 100 anos o mundo viu a mulher evoluir e galgar o espaço individual, como formadora de opinião, pensadora, enfim a mulher é um autêntico e reconhecido ser social. E este interstício é que fascina: acompanhar a própria evolução do cinema com a emancipação feminina.

Qual a figura feminina de maior destaque da história do cinema, sob o seu olhar particular?
Sao tantas cada uma em suas especificidades, musas, divas, diretoras, atrizes, mas particularmente me provocam: Greta Garbo, Leni Reinsfestal, Carmem Miranda, Gilda de Abreu, Alice Gonzaga, Luci Barreto, Agnes Vardá, Carla Camuratti, Giulieta Massina, Norma Benguell, Milena Canonero, Zexé Macedo, Dina  Sfat, Brigitte Bardot, e diversas outras para um espaço exíguo e pelo esquecimento da hora. Mas o que mais me emociona é a safra das novas diretoras nacionais, meninas como Eliane Caffé, Ana Muylaert, Tete Mattos, entre outras, que tão dando um fôlego novo ao nosso cinema, fazendo um cinema primoroso, sem concessões, livre de dogmas e articulado, é lindo ver estas meninas desabrochando em cada novo filme solidificando a construção das suas carreiras.

Que novidades estão reservadas para a edição deste ano do Curta Santos?
Um painel de estudos sobre o Feminino no Cinema, que espero ser estimulante e abrangente, e que busque avançar ainda mais na integração de novas mídias e plataformas, na sintonia de um  audiovisual se redimensionando, agregando cada vez mais os longas como forma de reflexão e estudo. Com debates e oficinas para os realizadores com excelentes profissionais durante o festival, e espero que a troca este ano seja rica entre nosso diretores e os realizadores de fora, pois esta é uma edição nacional.

E por que a escolha de Leila Diniz como musa desta edição?
Irrequieta, inquieta, provocadora, atriz talentosa de teatro, televisão foi no cinema que ela ficou eternizada, principalmente por Domingos de Oliveira. Leila inaugurou uma nova mulher, complexa, com visão política contundente nos anos de chumbo, e a complexidade urbana da nova brasileira, seu comportamento inaugura uma nova mulher, sem os resquícios do domínio masculino, se permitindo ser, sem desculpas ou licença, boa lutadora chutava o pau da barraca para defender seus ideais e pontos de vista, e era extremamente bem humorada, divertida, Leila, um autêntico ícone do cinema. Musa do 8º Curta Santos. Viva Leila!

Oito anos. Esperava que o festival chegasse a essa marca?
Nunca, nem em meus sonhos mais doidos, aprendi a ser tolerante, a deixar o sectarismo de lado, e aprender muito, crescemos eu e cada um dos envolvidos no festival, a cada nova edição, aprendemos todos a ter um olhar mais sensível e destituído de ego, aprendemos que festivais são janelas abertas a exibição de um cinema que pensa, formula e avança, e que fazer isto tem que ser um ato puro de amor, da luta pela preservação destes espaços onde flui um ambiente renovador, onde a arte e o pensamento imperam. Agora, o impacto disto na cidade é grande, isto é inegável, e nos deixa mais compromissados em avançar. O festival, em sete edições, movimentou mais de R$ 2 milhões, gerou 600 oportunidades para jovens nas variadas categorias que abrangem a produção, mas o maior crédito do festival é o de levar aos cinemas milhares de pessoas que formam publico para o  cinema nacional, e mais ainda alvissareiro. Hoje, já possuímos um público para o filme curto na cidade.

O quanto a produção caiçara acompanhou o festival e evoluiu?
Nossa, aí é nossa praia. Nossa produção caiçara está em processo de qualificação. Já aparece a síntese, o domínio da narrativa, a busca profissionais pelas variadas áreas que o cinema exige, como fotografo, iluminador, continuísta, montadores, para compor cada curta, e já há um cuidado maior na pós-produção, ainda sofremos os efeitos de poucas empresas daqui apoiarem e entenderem o valor destes trabalhos, compreenderem que a cada exibição destes em festivais fora daqui leva o nome das empresas. Ressente-se também de um ótimo curso oficial de cinema, livrar-se da edição e da narrativa televisiva. E somos ciclos permanentes de estudo e reflexão coletiva. Mas o saldo é altamente positivo, cresce e adensa-se a cada edição do festival, e isto emociona.

Por fim, quais as expectativas para esta 8ª edição?
Com alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo, gostaria de ver os pipoqueiros afunhenhados sem dar vazão a tanta pipoca para uma fila interminável, de ver platéias lotadas aplaudindo e vaiando delirantemente seus preferidos, mas, concretamente, que estudemos e celebremos o presente momento do cinema nacional, que gritemos por uma distribuição mais sólidos e democráticos, que o público e os realizadores venham para uma troca ansiada. E que, ao final, todos saiamos renovados e prontos para novas lutas.

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  1. Adeus, Toninho Dantas :( - Ain´t no mountain high enough - [...] Por fim, quais as expectativas para esta 8ª edição? Com alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo, ...

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